Defesa de Bolsonaro tem dois caminhos para tentar adiar a prisão após rejeição de recursos no STF

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Timon,04/04/2026

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    Defesa de Bolsonaro tem dois caminhos para tentar adiar a prisão após rejeição de recursos no STF

    Com ata publicada, Supremo se aproxima de determinar o início do cumprimento da pena de 27 anos por tentativa de golpe.


    Defesa de Bolsonaro tem dois caminhos para tentar adiar a prisão após rejeição de recursos no STF Reprodução:Web

    A ata do julgamento que rejeitou os primeiros recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro foi publicada nesta segunda-feira (17), aproximando o Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar o início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, pela tentativa de golpe de Estado.

    A formalização confirma a decisão unânime da Primeira Turma, que rejeitou os embargos de declaração apresentados pela defesa. Esse tipo de recurso é destinado a esclarecer dúvidas, omissões ou contradições no acórdão da condenação, mas, segundo os ministros, não havia erro a ser sanado.

    O próximo passo é a publicação do acórdão, documento completo com os votos dos ministros Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia. Como os votos foram concisos, a expectativa é de publicação até terça-feira (18), iniciando o prazo para a defesa recorrer já na quarta (19).

    Prazos acelerados e possibilidade de ordem de prisão ainda em novembro

    Como Bolsonaro é réu preso — atualmente em prisão domiciliar em outro processo — os prazos processuais correm em dias corridos, incluindo feriados e finais de semana. Caso o último dia do prazo caia em sábado ou domingo, é transferido para o primeiro dia útil seguinte.

    Dependendo das escolhas da defesa, uma ordem de prisão definitiva pode ser expedida ainda na última semana de novembro.

    Dois caminhos possíveis para tentar adiar a prisão

    1. Novos embargos de declaração

    A defesa pode apresentar um segundo embargo, com prazo de até cinco dias após a publicação do acórdão.

    No entanto, há grande possibilidade de que o relator, Alexandre de Moraes, considere o recurso protelatório — isto é, sem fundamento jurídico e apresentado apenas para atrasar o cumprimento da pena.

    Se isso ocorrer, a rejeição seria rápida, abrindo caminho imediato para a prisão.

    2. Embargos infringentes

    Outra tentativa é recorrer por meio dos embargos infringentes, recurso destinado a reverter decisões não unânimes.

    O problema: para que o recurso seja admitido, a jurisprudência do STF exige ao menos dois votos divergentes — desde o caso do ex-governador Paulo Maluf, em 2017.

    No julgamento de Bolsonaro, apenas Luiz Fux votou pela absolvição.

    Portanto, o pedido deve ser rejeitado já na admissibilidade.

    Ainda assim, a defesa poderia apresentar um agravo contra a rejeição, levando a discussão de volta à Primeira Turma, o que teoricamente alongaria o processo.

    Mas analistas veem baixa probabilidade de êxito.

    Viabilidade dos recursos é considerada baixa

    Apesar das possibilidades processuais, ministros e especialistas avaliam que nenhum dos caminhos deve impedir a prisão.

    Além disso, o único voto divergente — o do ministro Fux — não estará presente na análise de recursos, pois o magistrado se transferiu para a Segunda Turma após o julgamento de mérito.

    Sem divergência interna, a posição da Primeira Turma tende a se manter firme.

    Local da prisão ainda está em análise

    O STF ainda não definiu onde Bolsonaro cumprirá a pena. Uma das possibilidades avaliadas é uma ala especial na Papuda, destinada a policiais militares presos e separada dos demais detentos.

    Por jurisprudência, ex-presidentes têm direito a sala especial, mesmo em presídios comuns, e o espaço pode ser montado também em instalações da Polícia Federal ou até em unidade militar.

    A defesa, porém, deve usar o argumento médico para pedir prisão domiciliar, citando problemas de saúde como complicações da facada de 2018 e distúrbios dermatológicos — caminho semelhante ao adotado por Fernando Collor, que recebeu prisão domiciliar por razões humanitárias.

    Contexto: Bolsonaro já cumpre prisão domiciliar

    O ex-presidente está em prisão domiciliar há mais de 100 dias, com tornozeleira eletrônica, por envolvimento em uma suposta tentativa de obstruir investigações relacionadas à ação penal sobre o golpe.

    A decisão do STF sobre a condenação principal pode alterar esse cenário e levá-lo ao regime fechado, caso não prospere nenhuma investida jurídica de sua defesa.





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